Meu amado pai tenho buscado a palavra certa, a palavra justa. Uma simples palavra. Aquela que deixe claro o tamanho da minha dor e da enorme sensação de fraqueza, de impotência diante da única verdade da vida. Reconheço você foi o braço forte, o colo e o afago. O sustentáculo. O verdadeiro alicerce de minha vida. Reconheço que por tantas e tantas vezes em seu peito busquei refúgio, pois sabia que ali havia força, sabia haver abrigo. Assim o foi na minha infância, na minha adolescência e muitas e muitas vezes, no seu conselho maduro e no abraço aconchegante, o foi em minha vida adulta. Hoje, o seu abraço não é forte. O seu braço já não suporta meu peso. Sua maturidade já não me dá segurança. Hoje... com a dor do tempo, com a fragilidade da saúde, já não pode me dar o seu abrigo seguro. Hoje, justamente hoje, quando mais preciso de sustentação, quando mais necessito de um braço forte, me vejo obrigado a ser alento. Preciso encontrar em mim o ser que você criou. Preciso descobrir a força que me foi dada e me fez homem. Preciso deixar de lado o menino que há muito deveria ter crescido, mas que no abrigo do seu colo sempre encontrou pousada e que teimando em ser menino ainda o chama de paizinho. Hoje, justamente hoje, terei que ser forte. Ser forte como você sempre foi. Tornar-me forte e abrigá-lo. Ser forte e abraçá-lo. Ser forte e contentá-lo. Ser forte e amainar sua dor. O mundo girou, a vida girou. Aquele que foi meu colo, agora quer colo. Aquele que foi abrigo, agora é frágil. Aquele que foi proteção, agora precisa ser protegido. Seu coração que sempre foi tão grande, de tanto amor que me deu, agora bate fraco. Seu corpo que sempre foi forte, por tanto amor que me foi entregue, agora se vê desgastado.
09:58 - 29/03/2009
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